Mãe de mecânica assassinada pelo ex diz que juiz perguntou se houve traição no relacionamento: 'Isso é pergunta que se faça para vítima?'

  • 28/05/2026
(Foto: Reprodução)
Suspeito de matar ex-companheira a facadas no Subúrbio de Salvador é preso A mãe da mecânica Iana Silva Santos, morta em maio deste ano pelo ex-companheiro, em Salvador, afirmou que o juiz perguntou para a vítima se ela havia traído o suspeito. O questionamento foi feito meses antes do feminicídio, após Iana ser espancada e denunciar o homem por agressão. "O juiz fez uma pergunta para ela: 'houve traição?'. Ela respondeu que não. Isso é uma pergunta que um juiz faz para uma vítima?", desabafou a mãe de Iana. Iana, de 25 anos, foi morta a facadas no dia 21 de maio deste ano, após ter tido a casa invadida pelo suspeito, identificado como Jonatas dos Santos Moreira. Ele fugiu do local e só foi preso seis dias depois, na quarta-feira (27). Antes de ser morta, Iana havia denunciado o ex por agressão. A denúncia foi feita em fevereiro deste ano, após ela ter tido a casa invadida e sido espancada. Na ocasião, a mecânica contou para a família que fez ameaças de morte contra ela e contra familiares. "A Justiça foi falha e colaborou para que ele terminasse o serviço dele", afirmou a mãe de mecânica. Suspeito de matar ex-companheira a facadas em Salvador foi preso por agredir vítima e solto 14 dias antes do crime Vítima foi morta com golpes de faca em Salvador Redes sociais 📲 Clique aqui e entre no grupo do WhatsApp do g1 Bahia Por causa da denúncia de agressão, Jonas foi preso preventivamente. Em maio deste ano, ele foi solto para responder pelo crime em liberdade. Entenda a linha do tempo: 9 de fevereiro Iana terminou o relacionamento, após ser ameaçada por Jonatas. Na ocasião, ele teria dito: "se você não for minha, não será de mais ninguém". 13 de fevereiro Jonatas tentou matar Iana pela primeira vez. Ele invadiu a casa dela e cometeu uma série de agressões, deixando o rosto da vítima desfigurado. Iana foi até a Casa da Mulher Brasileira, denunciou as agressões e pediu uma medida protetiva contra ele. 14 de fevereiro Foi expedido um pedido de prisão preventiva contra o suspeito e a vítima recebeu a medida protetiva. 20 de fevereiro Iana retornou à delegacia e contou que Jonatas estava rondando a casa dela armado. No mesmo dia, Jonatas teve a prisão cumprida. 2 de março O processo foi concluído e encaminhado para a Justiça com as denúncias de lesão corporal em contexto de violência doméstica, ameaça e violação de domicílio. 7 de maio A sentença foi emitida e Jonatas foi condenado a dois anos de prisão em regime aberto e sem uso de tonozeleira eletrônica. Também foi fixado o pagamento de indenização equivalente a um salário mínimo à vítima. Na ocasião, Jonatas também foi absolvido das acusações de ameaça e violação do domicílio. Ele estava preso desde 20 de fevereiro, enquanto o processo corria, mas foi liberado para responder em liberdade. 8 de maio Jonatas foi solto. Iana foi comunicada pela Justiça da soltura. Segundo a mãe dela, a mecânica ficou desesperada com a notícia e saiu mais cedo do trabalho por medo do suspeito. 21 de maio Quinze dias após Jonatas ser solto, Iana teve mais uma vez a casa invadida e foi morta a facadas. Jonatas fugiu do local. Segundo o delegado responsável pelo caso, Victor Spínola, o suspeito acessou a casa pelo telhado e cortou o sistema de energia do imóvel, pois Iana tinha câmeras de monitoramento. 27 de maio Jonatas foi preso após se apresentar na delegacia com uma advogada. Suspeito havia sido solto há 15 dias após agressões contra vítima Reprodução/Redes Sociais O que diz o Tribunal de Justiça da Bahia O Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) confirmou que Jonatas foi preso em 20 de fevereiro deste ano, após uma decisão da Vara de Violência Doméstica. Em seguida, o suspeito foi denunciado pelo Ministério Público da Bahia por lesão leve no âmbito doméstico, ameaça e invasão de domicílio, e foi condenado a dois anos de reclusão em regime aberto pelo crime de lesão no âmbito doméstico. Segundo o TJ-BA, a decisão pela pena de dois anos de reclusão em regime aberto está relacionada ao fato de Jonatas ser um réu tecnicamente primário e de não responde por nenhum outro processo. O TJ-BA ainda informou que Jonatas não podia se aproximar da vítima e nem manter contato com ela. Confira a nota na íntegra: "O referido foi preso preventivamente em 20/02/2026, por conta de representação da autoridade policial e através de decisão da juiz titular da quinta vara de violência doméstica desta comarca de salvador, onde atuo como juiz auxiliar. Posteriormente foi formada ação penal onde o citado senhor foi denunciado pelo ministério público por lesão leve no âmbito doméstico, ameaça e invasão de domicílio sendo que foi condenado em 07 de maio de 2026 a 02 (dois) anos de reclusão em regime aberto, por conta do delito de lesão leve no âmbito doméstico. O citado senhor respondeu a todo o processo criminal preso e este transcorreu de forma célere. Saliento que em vista do montante da pena no patamar de dois anos de reclusão, o regime de cumprimento da mesma é o "aberto", na forma do art. 33, §2º,c, do código penal, o que impôs a soltura do sentenciado, uma vez que se mostrou réu tecnicamente primário e não respondia a nenhum outro processo, sendo descabida a manutenção da prisão preventiva. O referido senhor foi colocado em liberdade em 08 de maio de 2026, sendo que ainda tem em seu desfavor medidas protetivas de urgência (inclusive proibição de aproximação e contato da vítima e obrigação de manter distância de 500 metros da mesma) que tinham sido deferidas em 24/02/2026, em audiência de custódia. A vítima foi comunicada da sentença e da soltura do réu antes do cumprimento do alvará de soltura do mesmo, em 08/05/2026. Desde a data da soltura, o juízo da quinta vara de violência doméstica não recebeu nenhum contato da vítima ou qualquer pedido da autoridade policial para providências de qualquer ordem . Assim, são as informações pertinentes para eventuais esclarecimentos dos fatos." LEIA TAMBÉM: Confira lista com serviços de apoio gratuito para mulheres vítimas de violência na Bahia Chefe da Guarda Civil de cidade baiana é exonerado após denúncia de agressão à companheira Mulher é agredida em via pública no interior da Bahia; suspeito é cunhado da vítima Veja mais notícias do estado no g1 Bahia. Assista aos vídeos do g1 e TV Bahia 💻

FONTE: https://g1.globo.com/ba/bahia/noticia/2026/05/28/mae-de-mecanica-assassinada-pelo-ex-na-ba-diz-que-juiz-perguntou-se-houve-traicao-no-relacionamento.ghtml


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